Como fazer uma boa caipirinha

Como fazer uma boa caipirinha

Será que você sabe como fazer bem o drink mais famoso do Brasil?

A Caipirinha é um drink brasileiro. É uma marca nacional. Só pode ser chamado de Caipirinha o drink feito com cachaça, limão, açúcar e gelo. Se tem outra fruta ou outro espírito (clique aqui para saber o que é um espírito) deixa de ser Caipirinha. Se for com vodka, passa a ser caipiroska ou caipivodka. Se é com outra fruta, passa a ser caipifruta. Então, para atender todas essas variações, muitos cardápios classificam os drinks preparados com um espírito, frutas maceradas, açúcar e gelo apenas pelo nome de caipis. Mas, se estamos falando de Caipirinha com “letra maiúscula”, é preciso respeitar suas regras.

Então, agora você já sabe. Para ser uma Caipirinha é preciso ter na receita apenas cachaça, limão, açúcar e gelo. Você pode até diferenciar sua Caipirinha adicionando algum outro ingrediente para temperar e conferir personalidade à sua receita dando um toque extra de sabor. Mas não pode alterar a fruta e nem o espírito.

A escolha do limão

Uma boa Caipirinha começa pela escolha de um bom limão. O taiti é a melhor escolha pelo seu sabor e acidez ideais para o coquetel. Mas, a receita oficial não especifica o tipo de limão. Se você quiser, pode fazer com um limão galego. Só não pode fazer com limão siciliano porque essa fruta não é da mesma espécie do limão taiti e do limão galego. O taiti e o galego são chamados de limão aqui no Brasil, mas na verdade tratam-se de variações da família das limas. Tanto que internacionalmente não são chamados de lemon, mas de lime.

O limão taiti e o galego não são limões de verdade, são variações da família das limas. Já o siciliano é limão de verdade.

Depois de definir o tipo de limão utilizar, se taiti ou galego, é importante observar o estado da fruta. A casca deve estar com boa aparência, na cor verde, com leve brilho e sem presença de fungos. Cuidado com cascas excessivamente brilhantes. Elas podem ter recebido uma camada de cera para melhorar o aspecto. Essa prática costuma ser muito utilizada em supermercados. Apesar desta cera não fazer nenhum mal para o organismo, ela vai dificultar a maceração e liberação dos óleos essenciais da casca.

A consistência do limão deve ser firme e levemente macia, nem muito dura e nem muito mole. Essa textura indica que ele está maduro e suculento, mas ainda fresco e ácido na medida.

O corte do limão também é importante. As pontas devem ser descartadas porque contém muito albedo, que é o nome da parte branca entre a casca e a polpa da fruta. Nessa parte branca das frutas cítricas existe uma substância chamada pectina que produz amargor. Então, uma Caipirinha com o limão inteiro, incluindo sua pontas, pode ficar excessivamente amarga.

Comece a cortar o limão retirando as pontas.

Entretanto, não é recomendado descascar o limão e retirar toda parte branca. O limão deve ser macerado com a casca junto, porém sem espremer muito. Para garantir um equilíbrio perfeito, o ideal é apenas retirar, além das pontas, a parte do meio chamada de miolo branco ou eixo central.

Os pedaços podem ser cortados de vários tamanhos. O tamanho em si não vai interferir no sabor, apenas no visual e apresentação. Pedaços menores ficam mais distribuídos pelo coquetel enquanto os maiores se concentram no fundo.

A escolha da técnica de preparo

Originalmente, a caipirinha era um drink montado, ou seja, feito no próprio copo em que será servido. Coloca-se os pedaços de limão dentro do copo, adiciona-se o açúcar, macera-se tudo, coloca-se o gelo, a cachaça, mexe-se e está pronta a Caipirinha. Dessa forma o sabor da cachaça costuma ficar mais evidenciado dando a sensação de que o drink está mais alcoólico.

Hoje, na maioria do bares, a Caipirinha é feita batida, ou seja, tudo é misturado na coqueteleira. O resultado é um coquetel mais homogêneo e leve. Porém, o teor alcoólico permanece o mesmo. Apenas a presença da cachaça no sabor fica reduzida.

O agente adoçante

O açúcar é um componente essencial na Caipirinha para reduzir a acidez e equilibrar o sabor. A receita oficial não especifica qual tipo de açúcar, mas esta é uma escolha que vai alterar bastante o sabor. Na maioria dos bares a Caipirinha é preparada utilizando o açúcar branco refinado pelo seu baixo custo e diluição mais rápida. Entretanto, essa não é a melhor escolha.

O açúcar cristal granulado vai diluir com mais dificuldade, porém ajuda a extrair melhor os óleos essenciais da casca durante a maceração e isso produz uma leve diferença de sabor.

O açúcar demerara é utilizado em Caipirinhas com uma proposta gourmet, ou seja, em bares mais sofisticados com público exigente, e vai conferir um toque de caramelo ao coquetel.

Por fim, a forma mais utilizada em bares de alto movimento é o xarope simples. Ele vai produzir um coquetel mais homogêneo e mais padronizado. (clique aqui para aprender como fazer xarope de açúcar)

Além do açúcar, é comum também adoçar caipirinhas com mel, mas nesse caso o drink deixa de ser uma Caipirinha Oficial, passando a ser considerada como uma variação.

A escolha da cachaça

Finalmente chegou a hora de escolher a cachaça, e essa é uma decisão que vai afetar muito o sabor. A receita oficial estabelece que Caipirinha é uma bebida feita com cachaça, ou seja, um espírito específico. Nem toda aguardente feita de cana-de-açúcar é cachaça e muita gente não sabe disso. Cachaça é uma aguardente de cana com características específicas definidas pelo governo brasileiro. Para ser cachaça, é preciso ser fabricada no Brasil com graduação alcoólica de 38% a 48% em volume, a 20 °C, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar. Se estiver fora desse padrão, não é cachaça.

Qualquer outro ingrediente, sólido ou líquido acrescentado (rapadura, mel, jambu, frutas, ervas, especiarias, etc.), faz a bebida perder a classificação de “cachaça pura” passando a ser classificada como bebida mista. (clique aqui para saber a diferença entre cachaça e aguardente de cana)

Existem diversos tipos de cachaça e cada uma delas dará um sabor diferenciado e próprio à Caipirinha. Em primeiro lugar está o envelhecimento. Cachaças envelhecidas irão conferir sabores mais complexos e suavizar o coquetel. O tipo de barril no qual a cachaça foi envelhecida também irá alterar profundamente o sabor.

O tipo de cachaça é determinante no sabor da caipirinha.

Resumindo, as possibilidades e nuances de sabor em uma Caipirinha são enormes sem alterar a essência do coquetel oficial. Portanto, ainda que o bartender respeite as regras do que é uma Caipirinha autêntica, ele terá um universo enorme de possibilidades para personalizar o coquetel tornando-o diferenciado e especial.

A receita oficial da Caipirinha

Ingredientes:

  • 1 limão da sua escolha (taiti ou galego)
  • cachaça da sua escolha (tradicional, envelhecida ou premium)
  • açúcar da sua escolha (refinado, cristal, demerara ou mascavo, na forma normal ou em xarope)
  • gelo
  • Copo double Old Fashioned ou On the Rocks

Modo de preparo – batida (forma recomendada pela Escola do Entretenimento):

  1. Corte um limão em pedaços
  2. Coloque os pedaços em uma coqueteleira;
  3. Macere levemente até extrair o suco;
  4. Coloque gelo;
  5. Adicione 60ml de cachaça;
  6. Adicione xarope simples à gosto, para equilibrar;
  7. Bata e sirva no copo;
  8. Decore com uma fatia de limão como guarnição.

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Artigo escrito pelo instrutor: