Consumo cresce e novas opções chegam ao mercado
O mercado de coquetéis em lata, conhecido internacionalmente como RTD (Ready to Drink), vem transformando a forma como os consumidores enxergam os drinks alcoólicos. O conceito, que antes estava associado principalmente às bebidas tipo ice e misturas simples, evoluiu para uma categoria que reúne versões industrializadas de clássicos da coquetelaria, como Gin & Tônica, Negroni, Moscow Mule, Spritz, Margarita e combinações com whisky. No Brasil, o segmento ganhou força nos últimos anos impulsionado pela busca por praticidade, novos sabores e experiências de consumo mais rápidas. Dados de mercado indicam que os RTDs alcoólicos movimentaram cerca de R$ 11,8 bilhões no Brasil em 2025, com crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior, e a categoria ainda possui grande potencial de expansão quando comparada a mercados mais maduros.
O crescimento dos coquetéis em lata está diretamente ligado a uma mudança no comportamento do consumidor. A nova geração busca bebidas que sejam fáceis de transportar, prontas para consumir e adequadas para diferentes ocasiões, como festas, eventos ao ar livre, praias, churrascos e encontros entre amigos. Durante o Carnaval de 2026, por exemplo, os RTDs apresentaram crescimento de 94% nas vendas, enquanto a cerveja cresceu 60% no mesmo período, mostrando que as bebidas prontas estão conquistando espaços tradicionalmente dominados por outras categorias. Além disso, estudos apontam que a categoria deve continuar crescendo no Brasil, impulsionada pela inovação, maior presença nas prateleiras e curiosidade dos consumidores por novos sabores.
Entre os principais produtos disponíveis no mercado brasileiro estão as Gin & Tônicas prontas, que se tornaram uma das portas de entrada da coquetelaria industrializada para o grande público. Marcas como Schweppes, Tanqueray, Skol Beats e outras empresas do setor passaram a oferecer versões enlatadas ou engarrafadas desse clássico da coquetelaria. Enquanto algumas propostas buscam reproduzir uma experiência mais próxima do drink preparado no bar, utilizando gin e água tônica como base, outras seguem uma proposta mais próxima de uma bebida mista, utilizando destilados, aromas e outros ingredientes para criar um perfil sensorial semelhante.
A popularização dos coquetéis em lata também representa uma disputa por um novo espaço de consumo. Tradicionalmente, um drink dependia da presença de um bartender, de equipamentos, ingredientes frescos e tempo de preparo. Com os RTDs, o consumidor passa a ter acesso imediato a uma experiência inspirada na coquetelaria, sem precisar dominar técnicas de preparo. Essa característica tornou a categoria especialmente forte em ambientes de grande circulação, como festivais, blocos de Carnaval e eventos sociais, onde velocidade de serviço e padronização são fatores importantes.
Apesar do crescimento, a expansão dos coquetéis em lata também trouxe novos questionamentos sobre qualidade e autenticidade. Para consumidores mais interessados em gastronomia e coquetelaria, o rótulo passou a ser uma ferramenta importante de avaliação. A composição da bebida, o tipo de álcool utilizado, a presença de aromas artificiais, açúcar e outros ingredientes podem alterar significativamente a experiência final. Por isso, especialistas destacam que o consumidor precisa entender que nem todo drink pronto possui a mesma proposta: alguns buscam reproduzir a complexidade de um coquetel clássico, enquanto outros priorizam acessibilidade, sabor e conveniência.
O crescimento dos coquetéis em lata não significa necessariamente o fim da coquetelaria tradicional, mas sim o surgimento de uma nova categoria de consumo. Para os bartenders e profissionais do mercado, os RTDs representam uma oportunidade de observar novas tendências e compreender como o público está se relacionando com as bebidas alcoólicas. A lata trouxe a coquetelaria para novos momentos e novos consumidores, transformando drinks que antes pertenciam quase exclusivamente aos bares em produtos disponíveis nas gôndolas dos supermercados. O desafio da indústria será equilibrar praticidade, inovação e qualidade para conquistar um consumidor cada vez mais informado e exigente.

